Paciente da Apa do Gelado morre a míngua no Hospital Municipal

João Martins da Apa em vida
Por Juno Brasil - O morador da Unidade de Conservação (UC) da APA do Igarapé Gelado, João Martins de Lima, 75 anos, morreu na madrugada da última quinta-feira, 11 de agosto, depois de ficar 8 dias internado no Hospital Municipal de Parauapebas-Pa. (HMP), vítima de trombose arterial MMII.

Perna da vítima com
Trombose Arterial MMII
Segundo informações de familiares o senhor João Martins, começou a ter problemas de saúde desde o último dia 27 de julho, quando sentiu pressão alta e a circulação sanguínea de um dos seus membros inferiores paralisado. A sua filha Leticia Martins disse que o levara ao setor de emergência do HMP, onde aplicaram um soro, com alguns medicamentos, como analgésicos e o liberaram para voltar a sua casa, que fica localizada na zona rural de Parauapebas, na APa do Gelado, cerca de 60 quilômetros da sede da cidade.

“As dores que meu pai sentia, aliviaram um pouco e fomos para casa, mas no outro dia continuaram, sendo que na sexta-feira, 15 de julho, as dores retornaram com intensidade e nós voltamos à emergência do HMP”, relata Letícia Martins.

E segundo a filha da vitima, novamente aplicaram soro com medicamentos, para aliviar as dores e o liberaram, mas na última quarta-feira, 03 de agosto: “Meu pai não suportava mais as dores e nós voltamos ao Hospital municipal, pois não temos dinheiro. Chegamos lá por volta das 8 horas da manhã, sendo aplicados analgésicos, mas somente por volta das 16 horas, ele foi atendido pelo clínico geral, que o internou no leito 35, do Hospital Municipal, contudo apenas continuaram aplicando soro com analgésicos”, protesta Letícia Martins, se desfazendo em lágrimas.

Ainda segundo a filha da vítima, a partir do terceiro dia de internação, seu pai não falava mais e sua perna continuava inchando, mas os enfermeiros e médicos nada fizeram. Quando eles vendo aquele descaso, tentaram buscar ajuda, para retirá-lo do município e leva-lo a um hospital em Belém, onde pudessem resolver o problema dele, mas coisa nenhuma conseguiram, foram até mesmo com a mineradora Vale pedir ajuda, mas nada obtiveram. Sem mais nada a fazer, voltaram ao Hospital Municipal, enquanto seus familiares buscavam na Justiça, um socorro imediato para o senhor João Martins, que inconsciente, agonizava em seu leito, sem nenhuma solução médica.

Adilio Primo Alves, ex-cunhado da vítima disse tê-la acompanhada nessa jornada, que findou com sua morte. “Nesse acompanhamento fizemos Raio-x, não tivemos condições de fazer ressonância. E ele ficou aqui nesse hospital municipal, umas 4 horas numa cadeira de rodas, aguardando um leito, onde ficou apenas tomando soro, com medicamentos para aliviar as dores. Até os exames foram feitos em laboratório particular, com dinheiro emprestado. O certo é que a gente precisava retirá-lo para outro município, mas não conseguimos, procuramos até o Ministério Público, mas nada foi feito, o que findou em sua morte a míngua”, conclui Adílio Alves.

A reportagem do jornal GOL procurou a direção do Hospital Municipal de Parauapebas, para informações sobre quais foram os procedimentos e o motivo do falecimento de João Martins, mas disseram não poder declarar nada sobre o caso, que procurássemos a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, porém como podem eles falar a respeito do tratamento que o paciente recebeu ou o motivo da causa morte? Por isso preferimos deixar aqui o espaço para que numa próxima edição eles se expliquem.

O atestado de óbito, expedido doutor Manuel J. G. Banzeler, atesta que o motivo foi trombose arterial em MMII e embaixo, que a vítima é ex-fumante. A família da vítima, inconformada com essa situação, alega que se seu João Martins tivesse recebido o tratamento adequado e merecido, não teria morrido. E que uma simples cirurgia poderia ter salvado sua vida.

O que é Trombose arterial MMII - é uma doença que se dá devido ao acúmulo de placas de colesterol e cálcio, as artérias que irrigam a musculatura da perna podem sofrer diversos graus de entupimento, até mesmo total. O fluxo de sangue é mantido apenas por pequenas artérias, chamadas colaterais, que em geral não são suficientes para irrigar a musculatura em exercício, ou mesmo em repouso.

Causas - As bases desta doença ainda não estão totalmente estabelecidas, porém geram o entupimento de segmentos, longos ou não, das artérias das pernas, principalmente da artéria femoral superficial (AFS), localizada ao longo da coxa. Este entupimento se deve principalmente ao acúmulo de colesterol e cálcio na parede arterial, assim como lesões crônicas causadas pelo fumo e pela diabetes.

Tratamento - O tratamento desta doença é realizado pelo cirurgião vascular, que está apto a assistir o paciente em todas as fases da doença, desde o início, quando a terapia pode ser feita com medicações e exercício físico orientado, até o momento em que uma cirurgia é necessária.
O tratamento cirúrgico, quando indicado por um cirurgião vascular, pode ser realizado através de uma ponte com veia safena, através de um corte na perna, para desviar o fluxo de sangue ao redor da obstrução.

Tratamento simples - Nos últimos anos, a cirurgia endovascular permitiu que este tratamento seja realizado através da técnica de recanalização femoral, na qual o Dr. Marcelo Ferreira e sua equipe são autores de um dos principais artigos científicos a respeito, publicado no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery.


Nesta técnica, através de uma simples punção na virilha, delicados catéteres e stents são utilizados para reabrir a artéria doente e restaurar o fluxo de sangue da perna, o que em geral trata completamente os sintomas e evita complicações graves, como a amputação de uma perna pela falta de sangue.


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